Pitaia: exótica, ornamental e medicinal

Recentemente, uma planta muito interessante me chamou atenção onde trabalho. Além de produzir frutos lindos e saborosos, é ornamental e medicinal. Estou falando da Pitaia (ou Pitaya), conhecida também como fruta-dragão (dragon fruit), uma planta originária de regiões de florestas tropicais do México e das Américas Central e Sul.

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A pitaia é um cacto e tolera ambientes quentes, resiste à seca e à baixa fertilidade do solo. É uma planta perene, trepadeira, com raízes aéreas abundantes, capaz de crescer sobre árvores e pedras. O caule é suculento e carnudo, com espinhos de 2 a 4mm de largura.
A floração ocorre nos meses de novembro à março. A flor é tubular, hermafrodita, grande (20-30cm de largura) e abre durante a noite. O período entre a floração e a colheita é de aproximadamente 30 dias. O fruto pode ser redondo ou alongado, com 10 a 12 cm de diâmetro e o peso varia de 200 a 1000g.

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Três variedades se destacam por serem as mais comercializadas:

  • Pitaia vermelha com polpa branca (Hylocereusundatus undantus e Selenicereus setaceus)
  • Pitaia amarela com polpa branca (Selenicereus megalanthus)
  • Pitaia-vermelha com polpa púrpura (Hylocereus polyrhizus e Hylocereus costaricencis)

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A casca do fruto é coberta com brácteas (escamas) e sua polpa é cremosa e suavemente doce com numerosas sementes pretas.

De fácil cultivo e multiplicação, pode ser cultivada de 0 a 1.800m acima do nível do mar, preferindo climas quentes e úmidos, mas se adapta bem a climas secos.

Condições ideais:

clima: quente e úmido

temperatura: 14 a 26 graus

sombreamento: 40 a 60%

pH do solo: 5,5 a 6,5

A fruta é utilizada no preparo de suco, vinho, sobremesas e as flores podem ser ingeridas ou usadas para fazer chá. Em Brasília, o quilo da fruta chega a custar 38 reais.

Vários estudos relatam as propriedades funcionais da pitaia. Tanto a polpa como a casca possuem compostos antioxidantes. As sementes são ricas em ácidos graxos essenciais e fitoesteróis e o fruto é rico em vitaminas, auxilia o processo digestivo, é preventivo do câncer de cólon e diabetes, ajuda a reduzir os níveis de colesterol e as altas pressões do sangue.

Produção de mudas

Pode ser feita por sementes ou estaquia. Quando propagada por sementes, pode levar de 3 a 7 anos para começar a produzir, e se propagada por estaquia, leva aproximadamente 1 ano para frutificar. As estacas devem ter de 12 a 38cm de comprimento.

Plantio

Devido a pouca informação na literatura a respeito do cultivo da pitaia no Brasil, o Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras disponibilizou um boletim técnico fornecendo informações sobre o plantio. Abaixo um pequeno resumo:

  • A dimensão mínima da cova deve ser de 60 x 60 x 60 cm.
  • O preparo da cova deve anteceder o plantio, com no mínimo 60 dias.
  • Utilizar matéria orgânica (20 L de esterco de curral), calcário dolomítico (500 g) e adubação química com 300g de superfosfato simples e micronutrientes (50g de FTE BR 12) por cova.
  • A muda deve ser plantada a cinco centímetros abaixo do nível do solo.
  • A pitaia é uma planta trepadeira e o tutoramento da muda pode ser feito com um mourão de 1,80 m de altura.
  • No topo do mourão recomenda-se colocar algum tipo de suporte para sustentação das brotações produtivas.
  • O amarrio da muda no mourão pode feito com barbante para facilitar o crescimento.
  • Com auxílio de uma tesoura de poda, deixar apenas uma ou duas brotações, que deverão ser conduzidas até a parte superior do mourão.

Plantei minhas mudas este mês e estou ansiosa para vê-la produzindo!

 

Referências bibliográficas e sites consultados:

BARBEU, G. La pitahaya rouge, um nouveau fruit exotique, Fruits, v.45, p.141-174, 1990.

DE MELLO, F.R. Avaliação das características físico-químicas e atividade antioxidante da pitaya e determinação do potencial do mesocarpo como corante natural para alimentos (Tese de Doutorado), Universidade Federal do Paraná, 2014.

JUNQUEIRA, K. P.; FALEIRO, F. G.; BELLON, G.; JUNQUEIRA, N.T.V.; DA FONSECA, K.G.; DE LIMA, C.A.; DOS SANTOS, E. C. Variabilidade genética de acessos de pitaya com diferentes níveis de produção por meio de marcadores RAPD. Revista Brasileira de Fruticultura, v.32, n.3, 2010.

Li-chen et al., 2006; Ariffin et al., 2009; RUI et al., 2009; citados por De Mello, 2014.

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pitaiahttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-29452009000300001&script=sci_arttext&tlng=es